Braskem, entenda o que não se explica

"O interior das casas grita por justiça! Por ser daqui, vejo nas frases pintadas nas frentes das casas o registro de saudade, de tristeza, de lamento"

Zoroastro Neto, Morador do Pinheiro
Zoroastro Neto, Morador do Pinheiro
Zoroastro Neto
Morador do Pinheiro
Cantava Agepê, "moro onde não mora ninguém, onde não passa ninguém, onde não vive ninguém, é lá onde moro, que eu me sinto bem...", um cenário para quem ainda resiste à expulsão da Braskem nos bairros Pinheiro, Bebedouro, Mutange e Cambona.

A extração do sal-gema sem limite, desde 1976, e com o respaldo das autoridades públicas, e sob o manto dos Ministérios Públicos Estadual e Federal, levou ao adoecimento, à depressão, e a certeza de que o povo não tem valor com as tramas retóricas das campanhas publicitárias: entenda o que a Braskem vem fazendo por Maceió e Braskem explica!

Como afirma Fairclough, faz-se necessário "[...] elucidar as naturalizações advindas de práticas ideológicas, tornando clara os efeitos que o discurso causa por serem opacos para os participantes" (2010, p.39); e para os ex- moradores expulsos, essas campanhas causam mais dor, mais decepção.

Entender o que não se explica!

Explicar as relações de poder versus o aumento do lucro e da propriedade privada com a compra dos imóveis, em troca de uma compensação financeira.

O tremor de terras, em 2018, não foi um fenômeno natural. Foi provocado pela ação consciente dos gestores da Braskem, que autorizaram a exploração do subsolo por anos e sem a mínima preocupação com as vidas, com a comunidade.

Além da destruição dos imóveis, das vidas, da cultura, temos que conviver com o apagamento da memória dos quatro bairros, das famílias, da comunidade que ali vivam, em paz, com o trem indo e vindo, com a torcida do CSA, com as festas de Santo Antônio de Bebedouro e do Menino Jesus de Praga do Pinheiro.

O interior das casas grita por justiça! Por ser daqui, vejo nas frases pintadas nas frentes das casas o registro de saudade, de tristeza, de lamento!

O discurso do medo construiu uma cilada, com a farsa do feitiço da ajuda, com ações que mascaram a maior tragédia urbana-social do mundo provocada pelos gestores da Braskem!

Entristecidos, ficamos todos que não vemos mais o pôr-do-sol pelo Mutange!

Uma dor coletiva que alimenta o enriquecimento dos gestores e acionistas, uma amargura de não ver as autoridades públicas em prol das famílias expulsas!

Destaco, aqui, o artigo 225, parágrafo 3°, da Constituição Federal, as atividades e condutas lesivas ao meio ambiente podem gerar responsabilização civil, administrativa e criminal, sem prejuízo de possível condenação por improbidade ambiental e reparação de danos individuais às vítimas e trabalhadores.

Será que veremos os gestores da Braskem presos, respondendo pelo crime e pela negligência com o confisco de seus patrimônios?
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