Mundaú

Moradores temem risco de afundamento no entorno da lagoa

Líderes comunitários cobram sinalização das áreas afetadas; mineração prejudicou também a pesca

Afundamento dos bairros: órgãos discutem a sinalização da Lagoa Mundaú em Maceió
Afundamento dos bairros: órgãos discutem a sinalização da Lagoa Mundaú em Maceió
No final de junho, órgãos públicos como a Defesa Civil e Capitania dos Portos se reuniram para discutir medidas que reforcem a segurança em áreas da Lagoa Mundaú que foram afetadas pelos problemas geológicos causados por atividades mineradoras da Braskem. Apesar de os riscos terem sido mapeados, até o momento, apenas em áreas aquáticas, os moradores e trabalhadores do entorno da lagoa, no Vergel do Lago, seguem preocupados com a possibilidade disso se alastrar até a região onde moram. “A gente já não vive em uma situação muito boa, sabe? Agora imagina se acontecer como foi no Pinheiro ou no Mutange? É bem ali em cima, então se tá desse jeito, também pode acontecer aqui. Se for pra atingir mesmo, atinge é tudo”, disse Vanessa Santos, moradora do entorno da Lagoa Mundaú e membro da Cooperativa de Marisqueiras de Maceió. Além de interferir no dia a dia dos moradores da Lagoa Mundaú, os problemas causados pelas atividades da Braskem afetaram também os negócios locais. Grande parte dos que moram na região vivem da pesca e da coleta de mariscos, mas estão enfrentando dificuldades para se manter. A situação se dá, principalmente, pela escassez de peixes e também de sururu nas áreas onde a ação da mineradora deixou “mais fundas”, afetando diretamente a reprodução do que seria pescado e coletado na lagoa. “Foi um grande prejuízo pra quem vive dessa lagoa. A gente que vive da pesca vê que ali ao lado do Mutange era raso, hoje em dia é muito fundo e isso acaba nos prejudicando. Hoje em dia tem pouco peixe por ali, mas era um lugar principal onde a gente pescava antes”, conta Evanildo do Amor Divino, conhecido como “Baiano”, líder comunitário dos moradores da lagoa Mundaú e pescador.

Áreas de risco
Baiano conta ainda que uma reunião está sendo planejada entre os pescadores para cobrar as sinalizações nas áreas de risco, tendo em vista que certas regiões da lagoa estão bem mais fundas do que costumavam ser, graças às atividades de mineração no local. “Tá um buraco terrível ali [região próxima ao Mutange], quem for pra lá, tá se arriscando. Os pescadores vão se reunir para cobrar sinalização dos órgãos públicos, seja com boias de contenção, ou o que for, para demarcar como área de risco”, complementa o pescador.

A também líder comunitária Jaqueline Gonçalves revela preocupação com as famílias que vivem no local, uma vez que a situação em que muitas vivem já é bastante precária. Ela teme também pelo residencial que está sendo construído nas proximidades da lagoa, o que por muito tempo foi o sonho dos moradores da região.

“Aqui tem muitos idosos, muitos pais de família que já estão em batalha diária por uma vida digna. É um sofrimento diário, um dia de cada vez. Os prédios que estão sendo construídos pra gente daqui, talvez nem chegue a morar gente. Se acontecer alguma coisa deste tipo, vai ser algo inexplicável. Não sei nem como a comunidade pode reagir, mas com certeza teria desespero”, conclui Jaqueline, revelando que esse tipo de assunto geralmente não é muito comentado na comunidade para não gerar pânico.
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