Opinião

Em nome da paz e da justiça

"Conflitos de ideias são alimentados concreta e simbolicamente, sob o pretexto das diferenças irremediáveis que afastam os simpatizantes da direita e da esquerda"

Maria Paula, apresentadora, psicóloga e atriz.
Maria Paula, apresentadora, psicóloga e atriz.
Maria Paula
apresentadora, psicóloga e atriz.
Nossa nação está abalada. Parece que deu um nó e não estamos sabendo direito o que precisa ser feito para desembaraçar as relações. Enquanto a crise se agrava a olhos vistos e a fome aumenta vertiginosamente junto com o crescimento das populações de rua, a interação entre os brasileiros tristemente se dá no sentido oposto ao que a gravidade do momento exige. Conflitos de ideias são alimentados concreta e simbolicamente, sob o pretexto das diferenças irremediáveis que afastam os simpatizantes da direita e da esquerda.

O diálogo respeitoso e racional está entrando em extinção, e mesmo os mais bem-intencionados encontram dificuldade em estabelecer um ponto de convergência que possibilite uma visão inclusiva capaz de gerar união, em vez de repulsa e destruição.

Em meio a este cenário desafiador, uma iniciativa propõe diálogos pela justiça e paz. Numa parceria entre o Superior Tribunal de Justiça (STJ), sob a presidência do ministro Humberto Martins e de mim, embaixadora da Paz, diversas atividades acontecerão no sentido de inaugurarmos ações que promovam a paz social.

A primeira conferência, em maio, pelo canal do YouTube do STJ, contou com a presença de dois grandes expoentes mundiais, ambos laureados com o Prêmio Nobel da Paz — o ex-presidente do Timor-Leste Dr. Ramos Horta (Nobel em 1996) eoindiano responsável por libertar milhares de crianças do trabalho escravo pelo mundo afora Kailash Satyarthi (Nobel em 2014). Eles compartilharão conosco suas trajetórias de sucesso na superação da miséria humana personificada na escravidão e na guerra.

Buscamos criar chances de favorecer as relações concentradas nas vias do afeto, da compreensão, da busca pela superação dos conflitos, por meio do investimento de tempo, inteligência e atenção em caminhos capazes de gerar a reconciliação. Acreditamos ser perfeitamente viável a aposta na aptidão que todo ser humano possui de se transformar e, a partir daí, transformar o ambiente em que vive.

Precisamos nos preparar para lidar com o despreparo do outro, e, neste momento em que tantas famílias estão sendo vítimas da covid-19, em que tantas pessoas perderam o emprego, em que muita gente se vê afetada física, mental e emocionalmente pelo isolamento prolongado, pelo luto ou pela fome, um aprendizado precioso precisa acontecer: a divisão enfraquece, a união fortalece.

Quem sabe, a dor possa nos ensinar a lição urgente de que a melhor forma de romper com os ciclos da violência é por meio da renúncia à brutalidade como meio de garantir que a lucidez prevaleça.

Minha crônica de hoje é uma convocação.

Junte-se a nós e venha declarar a paz!
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