Opinião

Não mediocrize nossos jovens

"Portanto, se você tem vez e voz em sua academia, em sua família e em suas redes sociais, não perca mais o seu tempo e não mediocrize os mais jovens"

Jorge Barros, Ph.D, CEO Brasil / Instituto SmartCity Business America
Jorge Barros, Ph.D, CEO Brasil / Instituto SmartCity Business America
Jorge Barros, Ph.D
CEO Brasil / Instituto SmartCity Business America
Por gentileza me responda: por que estudar Karl Marx, Friedrich Engels, Adam Smith, Kenneth Galbraith, John Locke ou Milton Friedman?
a) Por puro diletantismo.
b) Por curiosidade erudita.
c) Para passar o tempo, já que não há nada mais interessante a fazer nessas férias.

Se você escolheu qualquer dessas alternativas acima, então tudo bem, vá em frente. Se não, eu sugiro que você reveja seus conceitos e pense bem no que anda orientando seus alunos, seus filhos e seus netos a ler. Sim, filhos e netos, é claro; porque quem pertence à minha geração, os nascidos entre 60 e 70, já não têm esperança de retomar o bonde da história ; afogamo-nos em aleivosias filosóficas e nos perdemos com tanta masturbação ideológica. A verdade é que, usando um termo bem coloquial e moderno, nós verdadeiramente “viajamos na maionese”.

Hoje tenho absoluta certeza que perdi preciosas horas, dias inteiros, talvez anos da minha vida, tentando entender como funcionava o mecanismo das relações de poder social e a essência dos sistemas de governo.

Aulas de Moral e Cívica, Organização Social e Política Brasileira, Socialismo, Comunismo, Capitalismo, Neoliberalismo, Não-sei-o-que-ísmo... Quanta bobagem. Se eu tivesse investido todo esse esforço e tempo em ler mais filosofia ou em aprender outros idiomas, em ter feito uma outra faculdade, em ter praticado mais um esporte ou aprendido a tocar um segundo instrumento, com certeza eu estaria hoje muito mais feliz, mais saudável, mais culto e mais bem preparado para a vida.

Adoro a dialética, enriqueço-me com a discussão e com a contraposição de idéias, mas detesto gastar meus neurônios e minha saliva com tolices. Tenho a tendência de ser minimalista e objetivo em minhas conclusões e digo: ideologia política é bullshit. Não digo isso com desdém, nem com recalque ou com sarcasmo. É que descobri que existem apenas dois grupos políticos no mundo: os que têm o poder e aqueles que querem tê-lo.

Na democracia tupiniquim brasileira, a grande mídia, os partidos políticos, a música sertanejauniversitária, o fanatismo religioso, as escolas de samba e os times de futebol "as such", são eficazes ferramentas de sensibilização coletiva que visam a manipulação das massas votantes, resultando num processo de dominação social cujos logros são de usufruto restrito dos líderes que conquistaram pragmaticamente o poder para obtenção de benefícios e vantagens pessoais, sejam esses de esquerda, de centro, de direita, budistas, muçulmanos, evangélicos, católicos, pôrras-loucas-do-leblon, da Barra, do Morumbi, de Heliópolis ou de Águas Lindas de Goiás.

A coisa é assombrosamente simples: ideologias e partidos políticos são cores e siglas criadas para mobilizar pessoas sonhadoras, quase sempre ingênuas e de boa índole, inteligentes ou não, que acreditam que podem construir um mundo melhor através de seus ativismos políticos naquela agremiação. Na verdade, esses indivíduos são apenas massa manipulada a serviço dos propósitos espúrios de um pequeno grupo que lidera esses partidos e esses movimentos.

Portanto, se você tem vez e voz em sua academia, em sua família e em suas redes sociais, não perca mais o seu tempo e não mediocrize os mais jovens. Seja honesto consigo mesmo e com a próxima geração.

Jogue fora toda aquela sua linda coleção de ideólogos sociais da História Contemporânea e sugira para eles dois cursos online de língua estrangeira completos para autodidatas: um de inglês capitalista e outro de mandarim comunista. Assim, eles poderão entender literalmente como funciona o mundo, conseguirão adarwinianamente adaptarem-se rapidamente a ele e aí então talvez tenham chance de mudar alguma coisa, transformando o mundo num lugar melhor para vivermos.
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