Começo de Conversa

Braskem tripudia do povo de Maceió - I

"Somando o líquido dos anos de 2018 e 2019, a Braskem angariou R$ 6,7 bilhões. Com a privatização, a Salgema passa a chamar-se Trikem e, posteriormente, Braskem."

Cássio Araujo, Procurador regional do trabalho e morador do Pinheiro, área atingida pela mineração da Braskem
Cássio Araujo, Procurador regional do trabalho e morador do Pinheiro, área atingida pela mineração da Braskem
Cássio Araujo
Procurador regional do trabalho e morador do Pinheiro, área atingida pela mineração da Braskem
A cidade de Maceió, outrora chamada de Cidade Sorriso, tornou-se desde algum tempo a cidade dos desastres causados por uma empresa que foi anunciada como a redenção econômica de Alagoas. Todavia não é isso o que vem acontecendo.

No ano de 1941 foi descoberto que Maceió tinha importantes jazidas de salgema, que serve de matéria-prima para toda uma cadeia da indústria química, como a produção de PVC, importante componente que substitui materiais como alumínio, borracha, cobre, alvenaria, cerâmica, vidro ou madeira.

Com essa descoberta veio a ideia de sua exploração e em 1966 foi criada a Salgema Indústrias Químicas SIA. Em 1968 a Union Carbide participa da empresa, que depois foi substituída pela Dupont.

Em 1971 entra na empresa o BNDE (atual BNDES), que após alteração societária, em 1975, conta com a participação da Petroquisa (subsidiária da Petrobrás). A construção da fábrica começou em 1974 e iniciou as suas atividades comerciais em 1977.

O Estado de Alagoas assumiu em 1979 e 1980 dois empréstimos externos, para viabilizar o empreendimento cloroquímico, que nos valores de hoje montam quase R$ 500 milhões.

A propaganda institucional da época prometia que o polo cloroquímico iria gerar mais de 100 mil empregos, entre empregos direitos e indiretos, o que deveria ser a salvação econômica da região.

Vieram os ventos neoliberais e com ele a privatização da empresa, ensejando a saída do Estado de Alagoas do empreendimento, ficando o povo de Alagoas com a dívida que até hoje paga, e os novos acionistas, que assumiram a antiga Salgema, com os lucros advindos da atividade econômica.

Somando o lucro líquido dos anos de 2018 e 2019 a Braskem angariou R$ 6,7 bilhões. Com a privatização a Salgema passa a chamar-se Trikem e, posteriormente, Braskem.

Com a instalação da Salgema numa área ambientalmente sensível, localizada entre o mar e uma lagoa, a Lagoa Mundaú, veio de imediato a desvalorização urbanística dos bairros adjacentes, numa época em que havia uma expansão imobiliária residencial.

O receio de acidente industrial, que de fato ocorreu algumas vezes, embora de não grandes proporções, consolidou a região do Trapiche da Barra e do Pontal como uma área residencial desvalorizada e sem grande apelo para moradia.

No dia 3 de março de 2018 aconteceu um terremoto em Maceió, de 2,5 pontos na escala Richter, que vai de O a 10, na área alta da cidade, deixando o povo de Maceió em polvorosa, a partir desse fenômeno veio para a cidade o Serviço Geológico Nacional (CPRM) e começaram os estudos para identificar a causa desse fenômeno, que é raro no Brasil.

Depois de muitos estudos, várias audiências e discussões, chegou-se a conclusão que a causa do abalo sísmico foram os poços de extração mineral da antiga Salgema, hoje Braskem, empresa do Grupo Odebrecht, tida como joia de primeira grandeza deste grupo econômico.
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