Começo de Conversa

Caminhamos para tempos nebulosos

"Particularmente, tendo a acreditar que o impacto negativo será maior que o mercado está precificando: estamos caminhando para uma recessão. Com números iguais ou até piores que o fatídico 2008"

Elias Fragoso, Economista
Elias Fragoso, Economista
Elias Fragoso
Economista
O ano de 2020 já está perdido para os negócios. As projeções do PIB já foram fortemente ajustadas dos otimistas 2,5% de dezembro de 2019 para 0% agora em março. Podem ser ainda maiores, a depender da gestão governamental do impacto das medidas restritivas às atividades econômicas tomadas para o combate ao coronavírus.

Particularmente, tendo a acreditar que o impacto negativo será maior que o mercado está precificando: estamos caminhando para uma recessão. Com números iguais ou até piores que o fatídico 2008. É que o impacto do coronavírus na economia está se desenhando em projeção geométrica e não linear (como o mercado vem avaliando).

Some-se, a isso, limitada capacidade de resposta dos governos que, ainda assim, precisarão por o “pé no acelerador” para atender às demandas da saúde pública e dos demais entes econômicos durante a epidemia, mas que, após a passagem do vírus, irão enfrentar sérios problemas de ordem política e na gestão das finanças para reorganizar o país. É cedo, mas estimo pelo menos dois anos (sendo otimista) para a economia estabilizar-se.

Outro ponto relevante para a recessão: as pessoas estão evitando sair ou sendo obrigadas a permanecer em casa, o que impactará fortemente o comércio, a atividade industrial já deprimida e com forte capacidade ociosa e os serviços que, pela primeira vez, após 2015 sofreram queda no seu desempenho (em 2019) e seguirá na mesma toada em 2020.

Importantes empregadoras, médias, pequenas e micro empresas passarão por vultosos perrengues. A paralisação de suas atividades levará número significativo a fechar as portas em definitivo; o mesmo acontecerá com os negócios informais que dá renda a 38 milhões de pessoas. Só que, neste caso, os problemas serão de muito mais agudeza.

Todas – médias, pequenas, micros e informais - dependem de fluxo regular de caixa para sobreviver já que não possuem capital de giro suficiente para suportar o tranco de 3 ou 4 meses parados ou com baixíssima atividade. E não terão apoio adequado e suficiente do governo. A desorganização nessa base produtiva do país vai criar enorme problema social.

E ainda há de se considerar os impactos altamente negativos da queda do preço do barril de petróleo (cujo valor atual de 22 dólares levará a Petrobras a forte perda de receitas este ano, já que projetava o barril a 56 dólares), bem como a não aprovação das reformas econômicas faltantes pelo Congresso (que dificilmente ocorrerá neste 2020).

Pronto! Depois de tanto remar, de tantos percalços e sofrimento para sair do eterno voo de galinha do crescimento do PIB nos últimos 40 anos cuja média foi de infames 1% a.a., lá vai o Brasil, de novo, “descendo a ladeira”.

Estamos no fim das “águas de março” e o coronavírus mal começa a alcançar os negócios. As projeções atuais podem se agudizar. Torço para que não. Mas não há dúvida: caminhamos para tempos nebulosos. A ver.
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