História

Primeiro museu a céu aberto da cultura afro é inaugurado

Localizado no Litoral Norte, espaço conta com o apoio da Prefeitura de Maceió

Museu expõe elementos da cultura e tradição africanas
Museu expõe elementos da cultura e tradição africanas
É inaugurado o primeiro museu a céu aberto da capital: o Axé Pratagy. Trata-se de um espaço religioso, educativo, turístico e cultural, localizado em frente à Praia da Sereia, e que tem como objetivo minimizar a visão negativa sobre a cultura afro brasileira. O espaço contou com o apoio da Prefeitura de Maceió, por meio da Fundação Municipal de Ação Cultural (Fmac).

Para o presidente da Fmac, Vinicius Palmeira, o Axé Pratagy é um espaço especial para Maceió. “Este é não só um espaço religioso, mas também um espaço cultural importante, com uma conexão muito grande com a natureza e com as coisas muito próprias da religião de matriz africana. Este espaço também se abre para o turismo, pois quem vier nos visitar poderá desfrutar de um espaço que tem todo o simbolismo dessa religião tão importante na formação do povo brasileiro”, frisou o gestor.

O coordenador de políticas culturais da Fmac, Amauricio de Jesus, destacou a importância do espaço para toda a sociedade. “O espaço vai atender estudantes, pesquisadores e a população em geral. A proposta do espaço é receber as pessoas, fazendo um tour e falando sobre esta cultura, e sobre sua importância na formação do cidadão de Maceió. A intenção é fazer com que as pessoas se conectem a uma relação ancestral conhecendo o que todos nós temos dentro das nossas descendências, a cultura afro-brasileira.”

Presidente da Fmac, Vinícius Palmeira, destacou a importância cultural do museu
Presidente da Fmac, Vinícius Palmeira, destacou a importância cultural do museu
Conhecimento
Para o historiador e babalorixá Célio Rodrigues, conhecido como Pai Célio, o espaço é fundamental para combater o preconceito. “Aqui os nossos visitantes vão poder entender um pouquinho da nossa tradição afro-brasileira. Conhecer algumas árvores sagradas, bustos e alguns orixás ligados à água, à terra, ao aço, ao bronze. Tentar dizer para essas pessoas que não adoramos ao satanás, mas sim a natureza: o ar, o céu, o mar, a terra. É essa a compreensão que a população alagoana tem que ter sobre nossa cultura, evitando o preconceito”, frisou.

Pai Célio
Pai Célio
Criação
Pai Célio explicou como nasceu a ideia de criar o museu. “Quando eu ando em outros estados, percebo que existe um espaço dessa natureza, mas Alagoas não tinha por conta dos vários quebras que passamos aqui, não só foi o de 1912. Teve o quebra de Getúlio, o de 1695 (quando extinguiram todos os nossos ancestrais palmarinos), o quebra de 1817. Todos esses quebras levaram nossos terreiros para o fundo do quintal. Hoje estamos dizendo não a tudo isso”, complementou.

Situado no bairro de Riacho Doce, no Litoral Norte, o Axé Pratagy é um espaço de acolhimento, formação, preservação e manejo das tradições de matriz africana. Ele é cercado por grandes árvores frutíferas, plantas e ervas sagradas. Em sua estrutura, conta com uma fonte, galpão multiuso, casas de orixás, espaços de preservação da memória das tradições afro-brasileiras, alojamentos e áreas de convivência, tudo adornado por esculturas e telas dos deuses africanos.

Para a museóloga Cármem Lúcia Dantas, o local é fundamental para a cidade. “Esse espaço representa um espaço de paz e de confraternização. Por isso é tão importante para a nossa cidade e para o movimento de dar as mãos. Todos nós que temos fé em seres superiores, precisamos nos dar as mãos e esta casa é uma lição de paz entre as diversas religiões, porque todos buscam a paz, então vamos ter tolerância, vamos respeitar uns aos outros.”

Dentro do museu foi construído o Espaço Maria Garanhuns, em homenagem a Yalorixá Maria Rodrigues da Silva, conhecida como Maria Garanhuns, e que enfrentou as conseqüências da Quebra de Xangô fundando o Axé Pratagy na década de 40.

Mãe Zeza, uma das presentes no evento, falou o que achou do museu. “É um espaço bonito e muito organizado. Acredito que locais como esses são relevantes para o combate à intolerância religiosa”, disse.
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