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Braskem contesta CPRM e diz que laudo teve "pressão política"

Caso Pinheiro: presidente da Braskem aponta inconsistências e conclusões precipitadas

Em texto distribuído à imprensa, o presidente da Braskem, Fernando Musa, tenta desacreditar o relatório técnico do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), divulgado em maio, que aponta responsabilidade direta da empresa no afundamento dos bairros do Pinheiro, Bebedouro e Mutange.

Musa diz que as conclusões técnicas da CPRM “foram apressadas”, tendo sido divulgadas antes da hora em razão “de pressão política” – mas não cita nomes. Ele garante também que as minas subterrâneas de extração de sal-gema “estão em condições de estabilidade” e que “não houve desabamentos”, contrapondo as constatações dos geólogos da CPRM.

Ele acrescenta que a petroquímica alagoana já contestou na Justiça, o relatório da CPRM e demonstra que, ao contrário do que já foi declarado – que a Braskem assumiria sua responsabilidade – não há intenção em indenizar as famílias que terão de abandonar suas casas nesses bairros nem tampouco assumir custos relativos a danos morais.

Na ação, que foi impetrada dia 14 de maio, a Braskem defende que a CPRM não cumpriu o prazo original previsto para concluir os estudos.

Versão
Na versão apresentada por Fernando Musa, analisando de forma mais aprofundada os anexos do relatório síntese do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), divulgados dia 21 de maio, “a Braskem identificou diversas inconsistências”. A empresa afirma que “não há ainda informações técnicas suficientes para chegar a uma conclusão, faltando inclusive finalizar os sonares do conjunto de 35 poços de extração de sal-gema”.

A petroquímica ressalta que, ao antecipar a divulgação do relatório, a CPRM concluiu estudos só levando em conta dados de 8 sonares finalizados à época. “Com apenas 8 minas analisadas, não é possível afirmar que a causa dos eventos seja a extração de sal”, diz Fernando Musa, que não faz qualquer menção à informação prestada pelo geólogo Thales Sampaio e sua equipe, de que a empresa teria vedado o acesso às situações das minas restantes.

Atualmente, dos 35 poços, 13 foram analisados por meio de sonares e os resultados obtidos até o momento demonstram “que estes estão em condições de estabilidade”. O término dos estudos de todos os poços tem previsão para o final do ano.

A petroquímica afirma que há divergências de interpretação entre a Braskem e a CPRM em relação aos resultados dos sonares, além de outros pontos que não foram considerados pelo órgão.

Não há conjunto de minas desabadas e nem vazias
A petroquímica apresentou “inconsistências relevantes” no relatório, as quais impossibilitariam chegar a um laudo conclusivo sobre o que está acontecendo. Um dos questionamentos é sobre a afirmação da CPRM de que quatro minas teriam desabado. “Sonares concluídos mais recentemente atestam que as minas estão em condições de estabilidade e não poderiam ter influência nos fenômenos geológicos”, garante o presidente Musa.

– Em outro ponto, a CPRM acusa o aumento de tamanho de algumas minas. Porém, não considerou que as minas estavam em operação, e esse aumento está tecnicamente dentro do esperado – acrescenta.

Ele diz ainda que, ao contrário do que foi colocado no relatório, “não foram identificados poços vazios. O corte utilizado pela CPRM no estudo foi à profundidade de 900 metros. Mas ali realmente não seria possível encontrar, uma vez que a cavidade em questão estava a uma profundidade maior”.

Relatório não reconhece falha geológica no Pinheiro e tremores de terra
Outra inconsistência que o presidente da Braskem garante existir no relatório técnico da CPRM é o fato dos estudos não terem considerado a falha geológica existente no bairro do Pinheiro e os abalos sísmicos registrados. “Essa falha, segundo geólogos especialistas, teria sido reativada por conta da sucessão de vários abalos sísmicos, principalmente os que ocorreram com maior frequência a partir de 2016. Essa falha percorre uma região que vai de Feira de Santana, na Bahia, até Alagoas, chegando ao Atlântico”.

“Há muitos anos, temos registros de abalos sísmicos nessa região. O tremor registrado em março de 2018, no bairro do Pinheiro, foi filmado e nos assustou. É como se sacudisse a terra – e isso causa danos. Agora imagine 16 tremores, um atrás do outro? Há cerca de dois meses, ocorreram quatro tremores em Sergipe e casas racharam. Isso não é uma peculiaridade de Maceió”, detalha Renato Senna, geólogo procurado pela Braskem, formado pelo Instituto de Geociências da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e que teria trabalhado por 40 anos – de 1965 a 1995 – na Petrobras, onde pesquisou inúmeros fenômenos na região Nordeste.

A Braskem está concluindo os estudos geológicos na região com apoio de especialistas contratados “para aprofundar o entendimento no sentido de melhor identificar as causas dos fenômenos” que têm impactado a região. “Essa etapa é importante pois, só a partir de um diagnóstico preciso, será possível entender as soluções definitivas que devem ser aplicadas”, finaliza Fernando Musa.

Defesa Civil e CPRM
A Defesa Civil de Maceió foi ouvida pela reportagem da Tribuna e disse que não concebe como a Braskem possa contestar um relatório técnico produzido por um órgão como o Serviço Geológico do Brasil (CPRM).

“A Braskem recebeu o relatório de um órgão federal. Não sei como eles podem contestar essa situação que envolveu tantos peritos no assunto, pois acima dessa esfera não há outra. A gente correu atrás da CPRM e eles fizeram todo um estudo sobre o caso”, afirmou o coordenador da Defesa Civil de Maceió, Dinário Lemos.

Lemos também afirma que o laudo do mês de maio da CPRM diz que o abalo sísmico que aconteceu no dia 3 de março de 2018 “ocorreu por causa dos trabalhos da Braskem no bairro do Pinheiro e proximidades”.
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