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Começo de Conversa

Celebrando a morte

"Escrevo também para externar meu repúdio aos estúpidos que desejam o inferno quando morre alguém que não compactua com suas ideias"

Aloísio Alves, Publicitário e membro efetivo da Apalca
Aloísio Alves, Publicitário e membro efetivo da Apalca
Aloísio Alves
Publicitário e membro efetivo da Apalca
Não escrevo apenas porque me dá prazer. A escrita semanal desta coluna é a melhor forma que disponho para interagir com pessoas, conversar com quem não tenho a oportunidade de fazê-lo sempre. Minhas crônicas na sua maioria são opinativas e inteiramente abertas para escutar as divergências de opinião e dialogar quando surgem oportunidades. Quer seja em encontros casuais ou abertas ao debate pelos canais da internet. Escrevo também para externar meu repúdio aos estúpidos que desejam o inferno quando morre alguém que não compactua com suas ideias.

As redes sociais vieram para se transformarem no clímax desse extraordinário universo virtual como a mais fácil das formas para proporcionar integração entre indivíduos. Deveria ser assim, um canal aberto onde todos pudessem ter liberdades de expressarem suas opiniões, defenderem seus conceitos. Contudo o cenário é favorável para manifestações sujas, mentirosas e conflitos. No campo das ideologias, internautas se escondem por traz da evolução tecnológica digital para transpirarem ódio. As redes sociais proporcionaram a democratização das expressões livres ao tempo em que abriu caminhos para uma enxurrada de calúnias, agressões grosseiras.

Deseja-se ou comemora-se a morte quando outros são contraditórias as suas convicções. Impossível acreditar nas tuitadas de um bando de apaixonados por facções e “mitos”. Não há limite para calúnias, enchem as redes de fake news. Usam robôs para atingirem pretensos adversários em defesa de interesses suspeitos.

Denigrem fatos e pessoas impunemente. São raros os casos em que a justiça puniu ou reparou moralmente autores de falsos perfis. Tanto os criadores quanto aqueles que, indiretamente participam do crime compartilhando posts. Os bots, aplicações autônomas que rodam na internet, podem ser úteis e inofensivos para os que recebem seus impactos. Mas, também cumprem funções abusivas e criminosas conforme objetivos de alguém isoladamente e grupos antagônicos, hoje tão comum nas redes. Todos sabemos a influência dessa tecnologia em eleições e pós. Não são poucas as autoridades vítimas de robôs que varrem calúnias e falsas notícias nas diversas plataformas. Um fato me chocou durante essa semana.

A morte súbita do jornalista Paulo Henrique Amorim foi motivo de comemorações, efusivas gargalhadas e frases de efeito injuriosas, desumanas espalhadas pelas redes sociais. Um desrespeito sem limites a dor de uma família e amigos, esquecendo os protagonistas do espetáculo deprimente que nenhum ser humano está livre de tragédias e acontecimentos sinistros muito piores. Nenhuma família está imune a um inesperado evento dolorido. Infelizmente a polarização na política brasileira causa repugnância e expõe as entranhas do ódio.

O sofrimento do outro é o delírio prazeroso de muitos. A humanidade está desafinada com o sentimento de solidariedade! “Quando você celebra a morte de alguém, quem morreu foi você mesmo”. Frase é atribuída ao Papa Francisco e muito a sábia! Aqueles que odeiam e propagam seus preconceitos doentios nas redes sociais, crescem numa proporção assustadora colocando sob risco à sociedade brasileira. A ignorância e o discurso do ódio e vinganças na internet, são alarmantes e comprometem o futuro.
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