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Confirmado

Braskem provocou afundamento de bairros em Maceió

Fissuras em bairros de Maceió são consequência da extração de sal-gema
Fissuras em bairros de Maceió são consequência da extração de sal-gema
Confirmando as suspeitas de moradores, autoridades e pesquisadores, o Serviço Geológico do Brasil disse, em audiência pública, que a instabilidade do solo nos bairros do Pinheiro, Bebedouro e Mutange, em Maceió, foi provocada pela extração de sal-gema realizada ao longo de mais de 40 anos pela Braskem.

O assessor da diretoria de Hidrologia e Gestão Territorial da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), Thales Sampaio, explicou que quatro hipóteses foram levantadas, porém, apenas duas, que estariam correlacionadas, foram conclusivas. As primeiras teriam relação com a falta de saneamento básico e de drenagem, além da extração de água subterrânea na localidade. Porém foram descartadas pois não explicariam o que está acontecendo na região.

Conforme os dados colhidos ao longo de quase um ano de estudos, a desestabilização das cavidades provenientes da extração de sal-gema, localizadas entre 1200 e 1600 metros de profundidade, provocou um fenômeno chamado halocinese (movimentação do sal) criando uma situação dinâmica com reativação de estruturas geológicas antigas, subsidência (afundamento) do terreno e deformações rúpteis na superfície (trincas no solo e nas edificações) em parte dos bairros.

“Três sismos que aconteceram no Pinheiro condizem com três cavidades de extração de sal-gema”, salientou o geólogo. De acordo com o laudo, cavidades de salmoura, que deveriam estar estabilizadas, não passaram por esse procedimento. O especialista declarou ainda que o movimento do solo da região não é algo novo levando em consideração depoimentos de moradores que vinham consertando rachaduras de suas residências há décadas.

Rachadura na casa de Rinaldo Januário, 45, morador do bairro do Pinheiro
Rachadura na casa de Rinaldo Januário, 45, morador do bairro do Pinheiro
Sampaio usou como exemplo duas minas de exploração, a 7 e a 19, para explicar o que aconteceu e o que pode ter acontecido nas demais. Segundo os dados, a mina 7 foi paralisada em junho de 1987 (32 anos) e os resultados dos sonares de 1989 e 2019 mostram uma grande variação vertical de aproximadamente 200 metros na posição da cavidade. O acontecimento pode ser explicado pelo contínuo desplacamento do teto da cavidade. Em relação à mina 19, foi detectado, por meio de sonar, uma forma geométrica muito irregular e inusitada para o padrão esperado. O reduzido volume, em comparação ao levantamento do sonar anterior, leva à hipótese do colapso quase total dessa cavidade.

Segundo estudos do Serviço Geológico, áreas do Pinheiro afundaram cerca de 40 centímetros em dois anos. Algo semelhante ao que foi revelado pelo mestre em geotecnia, especializado em geologia de engenharia, Abel Galindo. Segundo o professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), em recentes entrevistas à imprensa, um estudo realizado por ele desde 2010 revelou que o bairro estaria se movimentando alguns centímetros em direção à Lagoa Mundaú, porém, a falta de estrutura o impossibilitou de realizar a medição correta do fenômeno.

Bruno Fernandes


Laudo da Braskem


O estudo sobre o afundamento da região do Pinheiro, divulgado pela Braskem, também foi colocado em xeque pelo assessor da diretoria de Hidrologia e Gestão Territorial, Thales Sampaio. Conforme o estudioso, a mineradora apresentou um levantamento com erros grosseiros. “Os dados de subsidência fornecidos pela Braskem não estavam corretos”, declarou durante apresentação do laudo.

O relatório desenvolvido por especialistas contratados pela empresa, apresentado no auditório do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Alagoas (Crea-AL), afirmava como causas da instabilidade do solo a falta de drenagem adequada aliada às falhas tectônicas, questões descartadas pelo Serviço Geológico do Brasil. Na ocasião, o advogado da Braskem, Bruno Maia, chegou a sugerir uma resolução para os problemas. “Consertar a tubulação que leva água para a lagoa o mais rápido possível”.

Em resposta ao laudo oficial do Serviço Geológico, a Braskem informou, por meio de nota, que continuará com as ações emergenciais que já executa no bairro, o que inclui a inspeção dos sistemas subterrâneos de drenagem, a instalação de estação meteorológica e de equipamentos de GPS de alta precisão para detecção da movimentação do solo, entre outras medidas. Ainda segundo a empresa, os resultados apresentados serão analisados frente aos dados coletados por geólogos e especialistas independentes.
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