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Braskem

Indústria contribuiu para aumentar dívida pública de Alagoas

Desde que se instalou em Maceió, empresa é beneficiada com recursos públicos a custo zero

Pela natureza, tamanho e risco de suas operações, a Braskem deveria ser o maior pagador de impostos de Alagoas, mas na prática pouco ou nada recolhe aos cofres públicos. Extrai as riquezas do subsolo alagoano e pouco contribui em receita para os combalidos cofres do Estado.

Os privilégios de que goza a indústria vêm da época de sua implantação, há mais de 40 anos, quando recebeu, a custo zero, toda a área que ocupa no Trapiche e Pontal da Barra, além da área do polo químico, em Marechal Deodoro. Sua implantação em Maceió desvalorizou os imóveis e travou investimentos em novos projetos imobiliários, provocando a decadência da região.

Entre 1979 e 1980, o governo estadual fez três empréstimos externos no valor total de 135 milhões de dólares destinados à expansão da Salgema Indústrias Químicas, até então estatal ligada à Petrobras. Esse endividamento externo iniciado no governo de Guilherme Palmeira foi o ponto de partida para o crescimento da impagável dívida pública de Alagoas, que hoje ronda a casa dos R$ 10 bilhões.

Mesmo depois de privatizada, a empresa continuou recebendo recursos públicos em nome da industrialização do estado baseada na química fina para chegar à tão almejada redenção econômica de Alagoas. Mas 40 anos depois nada disso aconteceu e o estado só fez aumentar seu índice de pobreza e desigualdade social.

Dados oficiais analisados pelo economista José Menezes Gomes revelam que um terço da população alagoana vive na pobreza extrema, sem nenhuma renda formal, enquanto outro terço vive com renda de até um salário mínimo.

Os que ganham de 1 a 2 salários ou entre R$ 937,00 e R$ 1.874,00 chegam a 303.759 trabalhadores. De 2 a 3 mínimos, ou entre R$ 1.874,00 e R$ 2.811,00, temos 77.617 pessoas. De 3 a 5 salários mínimos, ou entre R$ 2.811,00 e R$ 4.685,00, encontramos 64.876 habitantes.

De 5 a 10 salários mínimos, ou de R$ 4.685,00 a R$ 9.370,00, temos 54.063 habitantes. O segmento que recebe a maior renda mensal atinge apenas 18.217 habitantes, percebendo de 10 a 20 salários mínimos ou entre R$ 9.370,00 e R$ 18.740,00.

“Com isso verifica-se que os indicadores de pauperização atingiram 2,3 milhões de alagoanos que ganham até dois salários mínimos”, diz José Menezes, professor do curso de Economia da Ufal, em artigo sobre a dívida pública alagoana.
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