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Começo de Conversa

Salgema, um sonho que virou pesadelo

"Quarenta anos depois, o que seria um avançado polo químico para gerar emprego e renda não decolou, e a prometida redenção econômica virou pó"

Fernando Araújo, Jornalista
Fernando Araújo, Jornalista
Fernando Araújo
Jornalista
Inaugurada em dezembro de 1977, a estatal Salgema Indústrias Químicas S/A, atual Braskem, se implantou em Maceió prometendo ser a redenção econômica de Alagoas, até então dependente da monocultura da cana-de-açúcar e dos repasses federais.

À época, vendeu-se a ideia de que a exploração das jazidas de sal-gema iria viabilizar a implantação do primeiro polo alcoolquímico do país, que geraria milhares de empregos de primeira linha, duplicaria a renda dos alagoanos e reduziria a desigualdade social no estado. Um paraíso à beira do Atlântico.

O ufanismo quebrou a resistência dos órgãos ambientais e suplantou a guerra dos ecologistas contra a implantação de uma indústria química dentro da cidade, com todos os riscos que isto representa para a população. Temia-se pela possibilidade de vazamento de gases tóxicos ou explosões devastadoras. Tragédia sempre repelida pela estatal, mas até hoje não descartada.

No início da década de 1990 - auge de suas operações - a Salgema contabilizou cerca de 1.200 empregos diretos, pagando salários acima da média de mercado. A partir de 1995, quando foi privatizada e passou para o controle da Odebrecht, os empregados com carteira assinada passaram a ser substituídos por terceirizados com salários 30% menores. Hoje, o número de empregos formais não passa de 400 e das cinco unidades da Braskem no país, o menor salário é o de Alagoas, segundo dados do Sindipetro.

Com exceção dos cargos de confiança, todos os setores da indústria foram terceirizados por empresas baianas. A terceirização sem limites preocupa o Sindipetro, não só pela redução dos salários, mas também na questão da segurança das instalações e integridade da planta. “Sem a manutenção desses equipamentos aumentam os riscos de um acidente”, alerta Paulo Roberto, do Conselho Diretor do sindicato.

Quarenta anos depois, o que seria um avançado polo químico para gerar emprego e renda não decolou, e a prometida redenção econômica virou pó. E mais grave: o paraíso virou pesadelo e pode se transformar em tragédia de grandes proporções, caso se confirmem as suspeitas de que a extração do sal-gema estaria causando abalos sísmicos na região do Pinheiro e Jardim Acácia, onde mais de 20 mil famílias já vivem esse pesadelo.

Relatórios da indústria garantem que a exploração mineral não tem nada a ver com o tremor que transformou o Pinheiro em bairro condenado. Mas os técnicos independentes não têm tanta certeza assim e sugerem um estudo aprofundado para se chegar a uma conclusão.

Caso seja responsabilizada, a Braskem, dona de 50,1% do negócio, deve pagar a conta dos estragos junto com a Petrobras, que tem 47% das ações, e a União, que autoriza as atividades de exploração mineral no país.
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