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Opinião

O terço, Lula e o Papa

"Melhor seria que as polêmicas em torno do terço se tornassem em curiosidade para saber mais sobre sua história"

Pe. Rodrigo Rios, Jornalista e Sacerdote Católico
Pe. Rodrigo Rios, Jornalista e Sacerdote Católico
Pe. Rodrigo Rios
Jornalista e Sacerdote Católico
Há poucos dias, um pequeno terço deu o que falar. Belo e ao mesmo tempo simples, serve para rezar as orações do Pai-Nosso e da Ave-Maria, em união com a mãe de Jesus. Quem é católico conhece muito bem o seu significado, pois é comum em cada igreja a sua recitação. Uma tradição secular praticada por milhões e milhões de pessoas a cada geração!

O que não se esperava era o fato de um terço acabar sendo notícia nos últimos dias na mídia. Mas, na verdade, não era o mesmo o foco da questão, e sim o contexto associado a ele. O advogado argentino Juan Grabois foi se encontrar com o ex-presidente Lula para entregar o referido objeto e após a recusa da Polícia Federal, concedeu entrevistas falando sobre o ocorrido. Automaticamente, o PT afirmou que o Papa havia enviado o terço, o que foi desmentido por nota pelo Vatican News, o sistema de comunicação oficial vinculado à Santa Sé. Então, surgiram inúmeras notícias sobre o que realmente teria acontecido e o tema da fake news voltou à tona.

O referido advogado é consultor do ex-Pontifício Conselho Justiça e Paz, que passou a fazer parte do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, e é o coordenador do encontro mundial dos movimentos sociais em diálogo com o Papa Francisco. Talvez não seja consciente do peso que a instituição ao qual é membro tenha sobre suas ações, pois seus gestos estão passando a ser vinculados a ela. Por ter acesso ao Papa em virtude do trabalho que realiza na Argentina com os mais marginalizados, agora está também sendo vinculado à pessoa do Pontífice. Porém, qualquer um é cônscio de que Francisco é aberto ao diálogo e ao trabalho com todos, e de forma especial se estes podem ser direcionados aos menos favorecidos. O fato é que a visita foi pessoal e não “institucional”, e os limites entre uma e outra não ficaram claros na mídia.

Confesso que procurei ver o desenvolvimento da narrativa midiática sobre o caso Grabois-Lula, como ficou conhecido, e percebi que pouco a pouco o Terço foi saindo de cena. Ao menos o fato serviu para que alguns soubessem da existência do mesmo, visto que os tesouros espirituais são desconhecidos pela maioria na época hodierna. Triste vê-lo associado a uma grande polêmica, por haver um viés político nestes últimos acontecimentos. Mas confesso que fiquei feliz em ver que ele ainda tem grande poder, e poucos sabem que sua maior força vem pela recitação das orações a si vinculadas. Melhor seria que as polêmicas em torno do terço vistas nesses dias se tornassem em curiosidade para saber mais sobre sua história, e assim o foco seria colocado naquilo que melhor tinha valor na situação e que passou despercebido com o tempo.
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