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Começo de Conversa

Um Rio de lágrimas

"Para desolação dos brasileiros, a Cidade Maravilhosa está doente e sangra, ferida, pelas balas assassinas do tráfico misturado com as polícias"

Aloísio Alves, Publicitário e membro efetivo da Apalca
Aloísio Alves, Publicitário e membro efetivo da Apalca
Aloísio Alves
Publicitário e membro efetivo da Apalca
O medo definitivamente fez morada na mais encantadora das cidades brasileiras, outrora paraíso desejado pelo mundo. Apaixonante pelo brilho do sol, divina pelo colírio que purifica os olhares para cenários dos mais deslumbrantes. Que tristeza! O Rio de Janeiro se transformou num honroso vale de lágrimas. Copacabana, Ipanema, Barra da Tijuca, Lagoa Rodrigo de Freitas.

O centro preserva verdadeiras maravilhas de atrações turísticas, palco da malandragem, com prédios históricos que se misturam com a modernidade de gigantes arranha-céus. Da Confeitaria Colombo, considerada o 7º café mais bonito do mundo desde 1824. No coração do Rio, é possível reencontrar um pouco da lembrança do Brasil Colônia e do Império. Para a desolação dos brasileiros, a Cidade Maravilhosa está doente e sangra, ferida, pelas balas assassinas do tráfico misturado com as polícias. Padece da chaga do século: corrupção sistêmica, propina, impunidade.

O Rio da Lapa, famoso por ser o reduto da boemia carioca de tantos bares, boates, berço dos mais renomados poetas do samba. Dos Arcos, considerados a maior obra arquitetônica já construída no Brasil colonial, cenário de espetáculos culturais por onde passam lá no alto os trilhos do histórico Bonde de Santa Tereza. Santa Tereza do Parque das Ruínas, romântico local obrigatório dos visitantes de onde observamos uma panorâmica visão do centro, orla, Aeroporto Santos Dumont e bairro da Urca.

Com as Olimpíadas, reacendeu-se a esperança de que a metrópole ganharia um legado primoroso no tocante à infraestrutura, encanto e romantismo que fizeram da cidade a mais cobiçada pelo turismo interno e internacional. Longe de imaginar que a tragédia avançaria com tamanha ferocidade trazendo a bordo o sabor amargo do terror, transformando as ruas em cenário de guerra e humilhação. Mais de uma centena de inocentes foram vítimas de balas perdidas só este ano, algo aterrorizante, entre elas crianças menores que tiveram suas vidas interrompidas brutalmente na chegada ou dentro de escola.

O caso do menino Arthur, que chocou o mundo ao ser atingido por um projétil que atravessou a barriga da mãe em dias de dar à luz. O drama dos servidores públicos que esmolam para não morrerem de fome sem receberem salários. Até este final de semana, 92 policiais foram mortos em confronto com bandidos ou simplesmente por serem reconhecidos como agentes públicos de segurança. Se a situação está sem controle, o que fazer se o caos existe? “A educação pública funciona? Não. A saúde pública funciona? Não.

Por que a segurança pública iria funcionar? Se a política é extremamente corrupta, veremos corrupção em todos os lugares, inclusive na polícia. Se não mudarmos o comportamento como cidadão, dificilmente mudaremos a política, e aí não há melhora”. É a declaração do delegado Guilherme Pimentel, especialista em segurança pública, coordenador do projeto “Meu Rio”, sistema de defesa cidadã contra a violência. O que ele diz retrata o drama interminável vivido pela sociedade em todos estados. Não bastam polícia e viaturas nas ruas quando não existem politicas públicas em educação, saúde, esporte e lazer.
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